quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Sacoleiras de Brasil trocam o Paraguai pelos EUA


Buscar mercadorias no país vizinho é coisa do passado. Real valorizado e voos diretos motivam sacoleiros a rumar para outros destinos, nos EUA. Turismo de compras também é incentivado
A cena de vários ônibus enfileirados em frente ao terminal turístico JK, tendo como destino as compras no Paraguai, é parte do passado.
As agências de turismo do terminal, no Centro de Belo Horizonte, não fazem mais as conhecidas excursões para o país vizinho. A rota da muamba mudou. Os sacoleiros do Paraguai migraram para Miami, Orlando e Nova York, nos Estados Unidos. O real valorizado, o cerco mais forte às mercadorias na fronteira do Brasil com o Paraguai e os diversos voos diretos de Belo Horizonte para destinos como Miami e Panamá facilitam a vida de quem quer encher as sacolas de compras no país do Tio Sam.A TAM inaugura, em 2 de dezembro, um voo direto de Confins para Miami, que passa a concorrer com o da American Airlines, na rota há dois anos. “Temos visto mais gente trazendo coisas para vender aqui dos Estados Unidos. Há dois tipos de cliente.
O que vai só para comprar e o que aproveita para conciliar o lazer com as compras”, afirma José Carlos Vieira, diretor regional e vice-presidente nacional da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav).Thiago Alves da Costa é corretor imobiliário em Miami e também enxerga maior movimento de sacoleiros nos últimos anos. “Depois da crise, muita gente que tinha salário fixo em Miami ficou desempregado. Aí eles passaram a levar para o Brasil coisas para vender. O número de muambeiros aumentou muito por aqui”, conta. Várias vendas, segundo Costa, são “casadas”. “A pessoa sai daqui com grande parte da mercadoria já encomendada. Tem gente que faz esse trabalho como bico. Sai sexta à noite de Miami e volta no domingo.
Outros trocaram de profissão. Aproveitaram que o real está forte e passaram a ser muambeiros ”, diz.Na hora de falar sobre as compras, os sacoleiros são de poucas palavras e pedem o anonimato. S.F.A. vende produtos de Miami na capital e em sites na internet. Ela conta que já vai para a viagem com a lista de encomendas. “Muitos produtos eu já sei o preço de lá”, diz. Apesar de a Receita Federal estar apertando o cerco aos sacoleiros, com maiores restrições às mercadorias que podem ser trazidas na bagagem, ela conta que quase não trabalha com eletrônicos, que são o alvo da fiscalização. “Vendo mais roupa de festa. Eu conheço o gosto da minha clientela, chego aqui e não tenho dificuldades de vender”, diz.
Na sua última viagem, ela pagou US$ 840 (cerca de R$ 1,47 mil) pela passagem BH-Miami, ida e volta. Em relação aos ganhos, ela mantém sigilo. “Vale a pena, mas não dá para ganhar muito. A concorrência aumentou. Muita gente que mora lá está vindo vender mercadoria no Brasil. E os brasileiros estão viajando mais para fora. Aí, as pessoas encomendam os produtos de amigos e parentes”, diz.J.C.S. mora em Nova York e tem parentes em Belo Horizonte. Quando vem à capital, ele aproveita para trazer roupas de marca, óculos, tênis e bijuterias. “É mais fácil trazer esse tipo de produto”, diz. Para driblar a alfândega, evita trazer mercadorias idênticas. “Eu não trago muitas unidades iguais”, conta. A venda é feita para amigas. “Quando eu vou chegar, uma liga para a outra e avisa”, diz. O segredo do negócio está na compra, segundo ele. “Muita gente vai para Nova York, mas nem todo mundo sabe onde estão os produtos melhores e mais baratos”, diz.Adiós, compras no país vizinhoEnquanto a concorrência de sacoleiras aumenta nos Estados Unidos, no Paraguai o trabalho está quase em extinção. Em 1982, no auge da febre dos produtos paraguaios, a aposentada Laurinda Mordente viajou todos os meses durante um ano para comprar produtos do país vizinho e revendê-los no Brasil.
Na bagagem, trazia walkmans, maquiagens, casacos de couro – comprados na divisa com a Argentina –, cintos, carteiras e echarpes. Para isso, enfrentava 22 horas de viagem na ida e o mesmo tempo na volta. Dois dias eram dedicados às compras. “A gente levava a parte da manhã comprando e, à tarde, o tempo era livre”, lembra. Hoje, porém, ela afirma que não faria a mesma aventura. “Não teria coragem. É muito peso para carregar. Na época, parei porque não dava para tirar folga todo mês para viajar.”J.M.F. atuou como sacoleira do Paraguai durante 15 anos. Parou há seis anos, depois de cair três vezes na fiscalização porque trazia cigarro contrabandeado. Com o faturamento, sustentava, com folga, a casa e o filho portador de necessidades especiais. “Eu podia pagar um motorista para levá-lo e buscá-lo numa escola no Floramar. Como viajava toda semana, na sexta-feira era dia de pagar o carro. Quando chegava de viagem, não havia preocupação em vender a mercadoria”, conta. “Era só chegar e entregar. O lucro não chegava a 100% porque muitos dos meus clientes eram camelôs”, reforça. Na avaliação da ex-sacoleira, hoje, as coisas são diferentes, e a fiscalização tornou-se muito mais severa.Até mesmo os shoppings populares já abandonaram o Paraguai.
“A maioria das pessoas que ia, perdia as mercadorias, que eram apreendidas. Não está mais valendo a pena. Os vendedores estão comprando direto dos atacadistas, que são legais e têm bons preços”, afirma Haroldo José Santos, presidente da cooperativa de compras dos shoppings populares.A moda da atividade dos sacoleiros, porém, está longe de acabar. Quem passa pelas avenidas Raja Gabaglia e Nossa Senhora do Carmo não terá dificuldades em visualizar faixas que anunciam bolsas, calças e camisas importadas, acompanhadas do celular para contato. Ligando para o número, quem atende é um rapaz. Ele explica que traz as mercadorias da Itália. “Bolsas custam a partir de R$ 390 e as calças e camisas são para o público masculino", informa. O pagamento pode ser feito com entrada e mais uma parcela, conforme o valor.
fonte:em.com

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Lições de vida

Cada dia em nossas vidas nos ensina lições que muitas vezes nem percebemos.
Desde o nosso primeiro piscar de olhos, desde cada momento em que a fome bate, desde cada palavra que falamos.
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Escolher a profissão, ingressar numa faculdade, conseguir um emprego...Essas são tarefas que nem todos suportam com um sorriso no rosto ou nem todos fazem por vontade própria.
Cada um tem suas condições de vida e cada qual será recompensado pelo esforço, que não é em vão.Às vezes acontecem coisas que a gente nem acredita.
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Mas nem tudo pode dar errado ao mesmo tempo, desde que você não queira.E aí... Você pode mudar a sua vida!Se tiver vontade de jogar tudo pro alto, pense bem nas conseqüências, mas pense no bem que isso poderá proporcionar.Não procure a pessoa certa, porque no momento certo aparecerá.Você não pode procurar um amigo de verdade ou um amor como procura roupas de marca no shopping e nem mesmo encontra as qualidades que deseja como encontra nas cores e tecidos ou nas capas dos livros.Olhe menos para as vitrines, mas tente conhecer de perto o que está sendo exibido.
Eu poderia estar falando de moda, de surf, de tecnologia ou cultura, mas hoje, escolhi falar sobre a vida!Encontre um sentido para a sua vida, desde que você saiba guiá-la com sabedoria.Não deixe tudo nas mãos do destino, você nem sabe se o destino realmente existe...Faça acontecer e não espere que alguém resolva os seus problemas, nem fuja deles.Encare-os de frente. Aceite ajuda apenas de quem quer o seu bem, pois embora não possam resolver os seus problemas, quem quer o seu bem te dará toda a força necessária pra que você possa suportar e...Confie!
Entenda que a vida é bela, mas nem tanto...Mas você deve estar bem consigo mesmo pra que possa estar bem com a vida.Costumam dizer por aí que quem espera sempre alcança, mas percebi que quem alcança é quem corre atrás...Não importa a tua idade, nem o tamanho de seu sonho...A sua vida está em suas próprias mãos e só você sabe o que fazer com ela...Autor ( Lilian Roque de Oliveira )


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